sábado, 18 de maio de 2013

Explicações


Deve existir explicação para o amor...

Quando andei perdido
Eu via sua luz
Eu via o seu farol
Mas não interpretava o apontamento.

Quando andei desiludido
Eu sentia sua fragrância,
Eu gostava,
Mas não a tinha como minha.

Quando me entreguei ao incerto
Eu percebia sua certeza.
Sua certeira seta de apontamento.
Pra mim eras, uma certa, utopia.

Quando eu cansei de viver
Percebi sua vida,
E como quem não tem a perder
Sem medos
E métricas
E métodos
E estrofes
E versos
E mentiras
Vivi!
Em você,
Por você...
Hoje, me abasteço
De nós
E por nós.

O amor se explica quando você sorri. 

sábado, 11 de maio de 2013

Encaixe




Parece que se encaixa...

Os seus acertos e os meus defeitos.
A sua clave com os meus acordes.
Os seus lencinhos com minhas lágrimas.
A sua vida com a minha fábula.
A suas asas com o meu ventar.
O seu sorrir com o meu chorar.
A sua luz com a minha sombra.
O meu joelho com a sua reza.
A minha vida com a sua essência.
O meu suicídio em sua ausência.
O seu cantar e a minha poesia.
O meu desabrigo e a sua moradia.

Parece que se encaixa:

O meu sonhar e o seu acordar.
O meu agir e o seu esperar.
Meu movimento e sua paciência.
As coisas boas e as demências.
O tempo parado ao lado teu.
As noites mal dormidas ao lado meu.
Os sonhos vividos com olhos fechados.
A vida de antes... os cacos.
O meu feio e o seu bonito.
Os meus gerúndios e os seus infinitivos.
O perfume novo que você me deu.
A cor antiga que você perdeu.
O mar de amar na qual os pés molhamos.
O que em nós surge, quando nos olhamos.
Parece, até, que a gente se encaixa!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Entre o altar e a cruz


Três freiras obesas
Ajoelhadas
Voltam-se ao altar a rezar.
De onde olhar
Perceberás que elas
Parecem iguais.
Velhas
Gordas
De joelho
A rezar.
Mas o que todos
Não sabem
É que cada uma
Esconde um pecado
Terrivelmente assombroso.
A primeira é gulosa
Come por prazer
E se empanzina até vomitar.
Esta reza pedindo controle.
A que está ao meio
É sádica.
Excita-se em ver crucificações,
Chicoteamentos,
Torturas,
Talvez este seja o maior motivo
De ela ter se fadado a ser carmelita.
Esta outrora, reza pedindo
Libertação (mesmo adorando estar presa).
A ultima é mentirosa
Vive em uma realidade criada.
Nas noites de refeições coletivas
Diverte as outras irmãs
Com histórias mirabolantes
De seu passado de “moleca”.
Esta, por sua vez, reza para que nunca
Descubram nada do seu passado verídico.
O mais intrigante é que nos dias de confissão
Todas escondem suas transgressões.
Talvez, essa seja a maior característica de um humano
Querer a abstenção sem pagar o preço.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Frações de tempo


Esse dia não passa!
E esses pensamentos permanecem
juntamente com a solidão.

Eu contos as areias que descem pela cintura do tempo
e desembocam em um mar de possibilidades perdidas.

Sinto falta da ausência,
e a presença me assombra.
Tenho fé no que morreu
e medo do que está vivo.

Queria, de coração, um grande amor,
mas o que cresce realmente em mim
é a angústia.
O amor, talvez, não seja pra mim.

Esse dia não passa,
pois deve ser engraçado me ver morrer aos poucos.

sábado, 4 de maio de 2013

Como em um sonho


Eu permanecia em minha cama deitado
Enquanto meus pensamentos
Juntamente com meus sentimentos
Rodeavam-na em abstrata observação.
Neste momento tomado estava
De um visível e real encanto.
O que será isso meu Deus...
Desejo, curiosidade, idolatria?
Antes de concluir o que pensava
A vi entrando pela porta
E em salto me pus de pé a encará-la.
Ela sorriu (Ah, como eu gosto daquele sorriso!)
E paralisado fiquei diante de tal divindade.
Pude perceber que seus cabelos soltos
Alcançavam a cintura. (Ah, como eu gosto daqueles cabelos!)
O silêncio tomava o espaço que nos envolvia
E antes que eu ousasse quebrá-lo
Ela beijou-me.
Seus lábios me tocaram causando frisson
Doçura e desejo
Volúpia e sinceridade.
Senti nossas almas entrelaçadas
Assim como nossas línguas.
Partindo do diafragma ascendeu uma fagulha
Queimando um pavio rumo ao coração
Que explodiu incendiando meu corpo
Como chama incessante de paixão.
Meus olhos brilharam como um farol
Anunciando aos perdidos, que aquela boca era minha guia.


Tudo seria perfeito, se não fosse uma luz invasora
Que adentrando minha janela me despertou
Do melhor e mais saboroso sonho que tive...
Sonho de amor!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Caso Perdido

Será você um caso perdido?
Um caso perdido de sorriso perfeito
De perfume ao vento
De desejo sem sentimento?

Será você um caso perdido
De amor sem amar
De medo de mar,
medo de amar...
De água sem sal
De mar sem profundidade?

Será que eu lhe perdi, caso?
Caso “sim”, perdoe-me!
Caso “não”...
Não se vá!
Pois ainda há muita água
A rolar
No mar
(profundo)
Do meu amar. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Gêmeos


Sua presença me completa. E essa completude é um álamo frente ao tom grisalho que o mundo tenta nos imprimir. Somos cores vivas em meio a tanto cinza, preto e branco. Nossas cores com vida própria valsam melodias entoadas pela terra, mãe de nós todos. A terra blinda nossa amizade. Quando nossos sorrisos se confrontam eu me encontro. Você sou eu fêmea! Sua forma de falar, agir e amar é tão EU. Somos um signo. Somos gêmeos. Somos brilho de estrela. Somos lunáticos nesse mundo de grãos!
Antes de sermos grandes amigos, éramos amigos pequenininhos. E lembro que vivíamos inconformados e tristonhos neste mundo são que nos venderam. Mundo este que era tão sem graça, mas nossos corações eram tão grandes e hiperativos que tivemos que crescer... tivemos que nos tornar grandões. Hoje, como bons gêmeos, somos amigos. Grandes amigos! Os maiores amigos que o mundinho lá fora já viu!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Anjo do Caos


Surjo nos teus sonhos no meio da tua noite,
Invado sua mente e a reviro de ponta cabeça.
Sou assim mesmo, por onde passo deixo rastros,
Vestígios, cicatrizes...
Impossível tocar-me sem se queimar!

Gosto de ser o obstáculo em suas decisões,
De te deixar confuso, te fazer esquecer nomes,
Fazer você pensar em mim,
Principalmente quando não for da sua vontade!

Foi você quem me fez o convite, lembra?
Você me deixou entrar.
E, pra ser sincera, é tarde demais para tentar me tirar de sua vida.
Estou acampando em sua mente.
Fiz de manipular seus pensamentos um vício.
Comprazo-me em aparecer sem avisar em tempos de calmaria
E verter em caos a sua vida, que até antes de mim era, tão simples.
E quando tudo estiver em total desordem...  Desaparecerei!
Como se nada tivesse acontecido.

Então você se reorganizará. Colocará os livros de poesia na estante,
Lavará e passará os lençóis brancos, tirará minha foto do porta-retrato...
Mas quando você menos esperar (Quando tudo estiver em total sincronia),
Eis que surjo novamente, sem avisar, numa ensolarada tarde de domingo
Como uma surpresa, entre meu sorriso, embrulhada e ornada com fitas vermelhas.

E mais uma vez te surpreenderei, Te farei lembrar do que nunca foi esquecido.
Fitarei seu rosto enquanto entro pela porta da frente,
Verei em seus olhos o medo que lhe acomete - você sabe do que sou capaz-.
E quando suas silentes indagações confusas quiserem externar-se,
Com meus olhos luzentes como raios solares, eu direi:
adoro ser assustadora quando chego em sua cabeça de repente.

Uma parceria entre: Breno Callegari Freitas e Karina Benevide
Conheça mais de Karina Benevides em: http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=116266

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Oh, céus!




Ela aproximou-se e eu a senti.
Ela tem cheiro de sorriso!
Percebi que algo diferente se deu em mim,
Meu Deus, como posso ser tão infantil?
Minhas bochechas enrubesceram e meus pés formigaram...
Sintomas, ridículos, de paixão!
Ela ficou em pé na minha frente a sorrir,
E como um galante cavalheiro sedutor eu escondi o meu medo.
Medo de não ser o suficiente,
Dela não gostar de halls vermelha que trago,
De dizer besteira,
De não ser inteligente o bastante,
De não estar cheiroso o bastante,
Da chuva não ser romântica o bastante,
De que meus olhos não brilhem o bastante.
Senti medo de desapontar.
Sem meias palavras ela me abraçou.
Ah, aquele abraço inesperado que amassa a sobriedade da consciência acelerando o coração...
_ Por que seu coração está acelerado? _ Ela perguntou.
_ Deve ser sua presença! _ Meu sorriso respondeu.
Ela novamente sorriu
E meu mundo, naquele momento, foi feliz,
Pois sou um céu
E o sorriso que ela me trouxe
Fez-se o brilho necessário
Que possibilitou, a mim,
Ser um céu estrelado!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Versos de malamar




Ela ia amar e levava consigo o livro das regras.
No meio de tantos “não pode”
Eu abrochei recitando meias poesias de verdades relativas.
Ela me apresentou as normas
E sacou sua arma,
Eu enredado por seus olhos ajoelhei e ofereci flores e espinhos.
Ela quis
E depois não quis.
Foi embora
Pra voltar amanhã
E nunca mais a vi...
Exceto um dia desses quando olhei pra dentro de mim.

domingo, 21 de abril de 2013

Teus olhos, meu lar!




O céu nublado de outono
Não costuma, sorrir estrelado.
O frio da estação
Remete-nos a uma cinzenta tristeza.
Fui poeta de outonos!
Trazia comigo um sorriso roto,
Abraços desinteressados e soltos,
Beijos loucos e poucos
E um coração fragmentado em grãos.

Queria poder amar.
Mas o amor não me era permitido.
Tentei amar as estrelas
Entretanto o outono nublado
Divertia-se em escondê-las,
Para saborear a minha desilusão.

Foi quando em uma das noites tristes e
Silentes, regadas à poesia
A encontrei (minha moça).
E sem permissão prévia
Mergulhei em seus negros olhos
Deixando-me imergir
Em tão profunda alma/amor.


Nadei em águas profundas
E quanto mais fundo mergulhei,
Mais fôlego adquiri.

Esses olhos/mundo
São fontes de vida.
Rejuvenesci. Ascendi
Como um enxame de vagalumes
Vagando por uma esquina escura da vida.

- Às margens deste mar do olhar
Pude perceber que em você
Não existia outono. -

O céu estrelado
Convidativo me tirou pra valsar.
Sem perceber minhas asas voei
A dançar
A sorrir
A viver
A sentir
A amar...
Ah, como eu amo seu olhar.
Eu tenho vida no seu olhar!

Cansado de tanto valsar,
Voar e amar
Sentei-me em uma das margens de sua alma (mar)
E comecei a escrever essas palavras
Com o intuito de avisar
Que agora sou morador dos olhos teus.
Perdi-me nesta imensidão.
E por favor, não tente me resgatar!

Convulsa poética que me pariu


Eu sempre quis ser um poeta. Só não sabia que os outonos eram tão gelados atrás desta folha escrita e lida por mim.
Comecei a escrever por um acaso doloroso. Sofrimento amoroso! Meu coração foi lançado como um bibelô de porcelana em uma parede rústica de tijolos. Era tão frágil, mas foi despedaçado. Eu vi meus cacos voando sem direção. Não havia perspectiva de conserto. O estrago era nítido. Viam-se cacos e sangue por todo lado. Quase um quadro de Portinari.
O engraçado é que quando sofro, busco aparentar o inverso. Sorrisos e alegorias carnavalescas enfeitam minha mascara. Ou melhor, MASCARAS, pois enquanto vago pelo sofrimento sou pluralmente uma construção de felicidade (inexistente). Odeio dançar, mas na fossa eu requebro igual a um pardal convulso em seu ultimo minuto de vida; nunca fui de beber, entretanto quando estou sendo sufocado pelo frio outonal, bebo com a mesma voracidade de um moribundo em estado terminal frente a um xarope que curará suas mazelas. Sei que é triste essa minha necessidade de externar o avesso do que realmente acontece. E assim, buscando apresentar pro mundo os meus cacos, comecei a escrever. Queria gritar minhas paixões (mesmo que platônicas), expor minhas dores, mostrar o quanto eu posso ser um gigante dilacerado.
‘Eu sempre quis ser um poeta’, no entanto achei que poetas não sofriam; que solidão não existia pra um poeta... pensei que poetas viviam de amor. - De certo modo o é, mas é do amor dos outros. - Poucos poetas vivem do amor próprio. Eu não tenho o dom do amor próprio! - Talvez até tenha, mas não o suficiente pra transformá-lo em poesia. - Por isso, antes de me julgar feliz (ou a qualquer outro poeta), saiba que nem toda folha que a primavera dispensa se vai por conta própria. Meu sorriso é uma fábula que contei e você acreditou. Meu amor é uma crônica inventada por um deus onisciente, onipotente e ausente. Meu pai. Sou o semideus do desalento.
Esse, com certeza, é mais um texto que quer bradar algo que nunca sairia da minha boca.  

Solidão é sina



Eu tenho a sina de escrever pelas madrugas. E essa madrugada está especialmente fria. Gosto quando a natureza blinda minha escrita com o frio noturno! Hoje as nuvens esconderam as estrelas. Isso me remete ao sentimento de solidão. Na verdade, quando não temos a sensação de estarmos sozinhos? Nossos conceitos são todos baseados no egoísmo. E Egoísmo é solidão. Eu ouvi alguém dizendo algo sobre amor incondicional. Refleti e cheguei à conclusão que o amor também é egoísmo e, por conseguinte é solidão. Ninguém ama apenas pelo fato de querer o bem alheio. Na verdade o amor nasce de uma idealização. Da busca pela vida perfeita. A busca é amor próprio, e amor próprio é egoísmo e egoísmo é solidão.
Eu busco as estrelas que a noite nublada me tomou. Poderia me contentar com o friozinho, mas sou egoísta ao ponto de amar. E por conseqüência estou só.
Mais uma noite em solidão!

Falta de costume



Quero pedir...
mesmo que ninguém me ouça,
Ou que não respondam,
Mesmo que a ferida doa
Ou a falta, ainda mais, falte.
Mesmo que a inconstância fale mais alto
E o silêncio seja a frustrante resposta
E que daqui a mil anos eu morra
Sem que nunca tenha vivido, realmente, longe de ti.

Quero pedir
Que a fratura
Não seja exposta
Que, até, falte cor
som
amor
frisson
E vida.
Falte o que tiver que faltar...
Só não me deixe sofrer
Por faltar você.

Fim do mundo


Aos que sorriram momentaneamente
Sentados em suas montanhas de insegurança
Esperando que o poente sol
Findasse suas frustrações vitais e humanas...

Aos solteiros de esperança
Trancafiados em sua falta de fé
Que zombaram do fim
Clamando que este calasse a santa cientificidade...

Aos políticos limpos
Que sujaram-se com a moeda do barqueiro do inferno
E que venderam suas almas para anjos que ainda voam.
Estes que borraram suas maquiagens amedrontados com o possível eclipse...

Aos puros e santos
Que acreditaram em Deus acima de qualquer vaidade terrena
E que ergueram suas mãos aos céus
Clamando que o todo poderoso mostrasse, mais uma vez, seu poder...

Aos famintos que não tiveram tempo de reagir...
Aos analfabetos de emoção que travaram no momento...
Aos sepultados amorosamente que ficaram a idealizar um oásis em pleno Saara...

A mim que fui um pouco de tudo
E um tudo de nada
Mas que também esperei
Ansiosamente...
:
O mundo é uma bosta,
E nem pra acabar ele serve!
Por isso, esperemos todos
Fitados neste mesmo canal
O próximo fio de esperança
Que será divulgado no jornal principal da noite.



Aos utópicos


Tudo que se quer é visualizar o intangível
Não se precisa possuir
Muito menos gozar de sua plenitude
O que realmente se precisa é tocar o invisível.

O seu sorriso em mim


Ah, como é delicioso pra mim
Ver o seu sorriso nascente
Se levantar no cantinho da boca
E atravessar o seu rosto iluminando
As trevas que este mundo adquiriu
                  [no passar dos tempos.
Este sorriso que pra mim se fez o marco
Entre o meu passado e o nosso futuro!
Como pode alguém não se afogar neste
                                                   [mar?
Como pode brilhar tão cintilante, posto
                              [Que não é estrela?
Talvez este tenha sido a grande inspiração,
O grande motivo, a grande paixão
De um criador poeta, que lhe fez
Por amor a beleza... Por amor a mim.
Se teu sorriso foste meu, assim como
                                           [Sou teu,
Recitaria em voz alta um poema que
Cantasse o quão perfeito é viver
Tendo a perfeição (que és) como prenda.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Canalha. Omisso e nada mais que você entenda


A minha canalhice é inteiramente transmitida por minha omissão intelectual.
Do que adianta ser um canalha pensador,
Se o que, unicamente, permito opinar é minha bestialidade?
Nas ruas desta cidade cenográfica, muita gente dizima suas opiniões descarga a baixo...
Assim somos vazios de conteúdo científicos e válidos,
E sobrecarregados de “achismos” hollywoodianos e “Globelezos”.
No entanto, nada disso tira de mim o prazer do pecado da supressão.
Prefiro me calar,
A não conseguir ser interpretado de forma coerente.
Assim sendo, coloco-me a disponibilidade do seu martelo julgador.
Sem direito a defesa.
Mas adianto que nada mudará.
Continuarei oferecendo a minha superior canalhice [nem estas VOCÊS merecem]
E omitindo o que meu cérebro e minhas tripas fazem enquanto o mundo dorme.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Academia e o Desequilíbrio do Romântico


Existem poetas irresistíveis às mulheres. Além de sua exuberante poesia e oratória, são detentores de beleza física, charme e elegância. Esse com certeza não é o meu caso! Sou alto -  até de mais – gordo - até de mais – desajeitado - muito além do que se consideraria “de mais” - e além de tudo desleixado com maneiras e postura corporal. O que restaria a mim como alternativa na busca de uma parceira? Poesia... o amor proveniente do coração de um sensível e romântico poeta!
Com essas armas, se é que isso pode se chamar de armas, eu lutei pelo coração de uma jovem. Essa, que por sinal, é linda. Cabelos dourados com sinais avermelhados - resplandecentes como raios solares no fim de tarde - baixa estatura, postura ereta, olhos negros – intensos como as mais profundas águas do oceano – lábios grossos e carnudos e pele alva. Além das características físicas, ela é guardiã de intenso apreço por boa leitura – adereço que intensifica o desejo deste que lhe escreve -.
Pois bem, tudo corria bem. Senti que ela se apegou ao meu romantismo. Lia meus escritos e seus olhos profundos brilhavam, houve vezes que escrevi só para ver aquele brilho – a título da mais luzente estrela – mediante a imensidão daquele negror – comparada ao breu ludibriante do céu -. Eu a enderecei todo carinho e amor que possuía meu gigantesco corpo. Ajustei meu coração às suas formas para que mulher nenhuma pudesse arriscar roubar um centímetro, que fosse, do especo que era dela. Começamos a namorar. E rapidamente a faísca da paixão se tornou uma fogueira de amor. Passaram-se meses e a tal fogueira já estava virando um incêndio. Quando o maldito desequilíbrio chegou a nossa surreal relação. Como uma madrasta maléfica que tenta destruir o conto de fadas. Era uma noite comum. Ela se olhava ao espelho e eu admirava. Eu estava tão intertido em contemplar aquele monumento a beleza que não percebia que o que ela fazia, fazia com jeito desgostoso.
- Amor você acha que estou gorda? (Perguntou ela)
- Lógico que não. Você é linda. E afinal, quem sou eu para reclamar de gordura? (Respondi tentando implicar graça a situação)
- Minha mãe falou que estou gorda. Não quero ficar feia, você é tão perfeito que merece o meu melhor. (Essa fala foi fundamental para que percebesse que ela estava aflita)
- Vem cá meu amor. (Tomei seu pequeno e meigo corpo contra o meu e olhando em seus olhos falei) Eu lhe amo do jeito que estás, e se seu corpo mudar nada dentro de mim mudará, pois a matéria é mortal. Contudo o amor a tudo subsiste.
(Achei que mudaria a situação com essa observação ultra inspirada e romântica, mas não surtiu muito efeito.)
- Que lindo amor. Mas se eu quiser fazer academia com minha irmã você ligaria?
(Logo veio a minha cabeça meu pedacinho de perfeição envolta em um daqueles macacões super justos e um bocado de homens boçais e asqueroso a observando.).
- Lógico que não me importaria meu bem. Jamais me oporia a uma ação que lhe levaria a felicidade. A final, não existe nada que me leve mais ao êxtase do que um sorriso seu.
( O pior é que eu julguei que isso seria bom para a autoestima dela. Mal sabia eu que isso seria o fim da minha.).
Passaram-se os dias. E ela, ao invés de acordar às 7 horas matinais, o costumeiro, acordava às 5 horas. E como era de nosso feitio, quem acordasse primeiro mandava mensagem telefônica de “bom dia” ao outro. Todos os dias passei a acordar as 5 horas da manhã. Quando ela estava voltando (da academia para casa) passava em minha porta para me dar um beijo. Na primeira vez que isso ocorreu, eu fiquei pálido. Seu corpo estava, esculturalmente, marcado e exposto por aquele pedaço de “sei lá o que” que chamam de roupa. Ela estava linda, mas enquanto vinha em minha direção, os homens que transitavam por perto paravam e a observavam inertes. Como estátuas. Hipnotizados.
Essa situação me corroia. Nunca fui machista, muito menos daqueles que tinham mulheres como posse. Mas a simples possibilidade de ver outro homem desejando e, mesmo que em pensamentos, possuindo a única dádiva que tenho em minha medíocre vida me consumia. Mas aquele sorriso... aquele límpido e doce sorriso, esse era o alento de toda a minha moléstia.
No entanto, a minha saga contra a maldita academia não estava acabando. Era certo que toda noite, antes de dormir, que nós tivéssemos uma longa conversa. Além de enamorados, éramos amigos confidentes. Tudo que nos passava despejávamos sobre o outro. Risos, lágrimas e silêncio... tudo passávamos juntos, mesmo que por telefone. Por tanto, depois que essa perturbadora necessidade de malhar começou, ela desejava dormir mais cedo. O pretexto era o cansaço e a hora da alvorada matinal. Ah como isso me machucou. E agora, o que darei a ela? Carinho já estava impossibilitado, não havia tempo (pois ambos trabalhamos). O alento de minhas palavras seletas já não lhe alcançaram, pois não nos falávamos mais. Esse não foi o fim do nosso amor, pois amor não tem fim. No entanto, nos afastou. Eu precisava de sabedoria para sanar essa situação. Tentei me conformar. Não deu certo, na verdade não durou nem um dia essa minha conformação. Então desisti de tentar. Por cansaço me fiz indiferente. E por incrível que pareça em uma semana ela largou a academia. Sua queixa, era que eu não a desejava.
Vai entender o ser humano... quando busca-se solucionar os problemas, eles se fortalecem e quando o cansaço nos domina, ele se finda. Isso me ensinou uma grande lição. Não adianta esquentar a cabeça, pois quando o problema não há solução ele se soluciona sozinho. Hoje sou feliz. Sem academia e mais perto que nunca do amor.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A mobilização solidária perante a morte



Como o corte de uma navalha afiada
A brisa seca e fria dilacera minha pele.
Meus olhos parados competem com a noite.
A noite é a mais negra
E meus olhos os mais frios.
Dentro do peito batiam minhas vísceras.
Sou o que se pode chamar de vazio.
Meu cérebro é ativo e talentoso.
Muito conhecimento pra pouco coração.
Ao meu lado o velho Chinaski...
Só me sinto feliz quando o leio.
Não sei se é pela diversão de sua medíocre e divertida vida,
Ou se pelo seu solitário sofrimento interior.
Só sabe o que é dor quem sofre de solidão.

Nota:
Essas foram as ultimas palavras escritas por Jonatan Luiwiesk, encontrado morto em sua cadeira de rodas na escadaria da igreja Batista do Município de Vargem Alta nesta noite. Jonatan era aidético e faleceu por conta de uma pneumonia adquirida por exposição ao excessivo frio. O povo se encontra solidário com a comovente história do senhor de 65 anos que escolheu a morte por se sentir só, pois como ele mesmo disse, “Só sabe o que é dor quem sofre de solidão”.
Pobre homem, que Deus lhe ampare!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Provérbios de sabedoria



A beleza é natural às rosas.
E a frieza comum entre os corações magoados.
A inércia é característica do sedentário
E a ignorância alento dos bastardos.

Aqueles que usam ironia como pedras,
Mesmo que saibam muito,
São fracos.
E os que usam flores como prendas,
Mesmo que sem nada saber,
Tornam-se amados.

Galgue em níveis intelectuais elevados
E aprenda a ser humilde.
Lute com seu íntimo
Para atingir seu malfeitor.
Conheça a regra
Pra não precisar roubar no jogo.

 Por que o esperto, o conhecedor supera.
Mas o sábio,
Que conhece o perfume das rosas...
Que renega a frieza...
Que supera as fortalezas...
Que vive bem consigo...
Esse é invencível
Tanto quanto o ar é invisível.