quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Canalha. Omisso e nada mais que você entenda


A minha canalhice é inteiramente transmitida por minha omissão intelectual.
Do que adianta ser um canalha pensador,
Se o que, unicamente, permito opinar é minha bestialidade?
Nas ruas desta cidade cenográfica, muita gente dizima suas opiniões descarga a baixo...
Assim somos vazios de conteúdo científicos e válidos,
E sobrecarregados de “achismos” hollywoodianos e “Globelezos”.
No entanto, nada disso tira de mim o prazer do pecado da supressão.
Prefiro me calar,
A não conseguir ser interpretado de forma coerente.
Assim sendo, coloco-me a disponibilidade do seu martelo julgador.
Sem direito a defesa.
Mas adianto que nada mudará.
Continuarei oferecendo a minha superior canalhice [nem estas VOCÊS merecem]
E omitindo o que meu cérebro e minhas tripas fazem enquanto o mundo dorme.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Academia e o Desequilíbrio do Romântico


Existem poetas irresistíveis às mulheres. Além de sua exuberante poesia e oratória, são detentores de beleza física, charme e elegância. Esse com certeza não é o meu caso! Sou alto -  até de mais – gordo - até de mais – desajeitado - muito além do que se consideraria “de mais” - e além de tudo desleixado com maneiras e postura corporal. O que restaria a mim como alternativa na busca de uma parceira? Poesia... o amor proveniente do coração de um sensível e romântico poeta!
Com essas armas, se é que isso pode se chamar de armas, eu lutei pelo coração de uma jovem. Essa, que por sinal, é linda. Cabelos dourados com sinais avermelhados - resplandecentes como raios solares no fim de tarde - baixa estatura, postura ereta, olhos negros – intensos como as mais profundas águas do oceano – lábios grossos e carnudos e pele alva. Além das características físicas, ela é guardiã de intenso apreço por boa leitura – adereço que intensifica o desejo deste que lhe escreve -.
Pois bem, tudo corria bem. Senti que ela se apegou ao meu romantismo. Lia meus escritos e seus olhos profundos brilhavam, houve vezes que escrevi só para ver aquele brilho – a título da mais luzente estrela – mediante a imensidão daquele negror – comparada ao breu ludibriante do céu -. Eu a enderecei todo carinho e amor que possuía meu gigantesco corpo. Ajustei meu coração às suas formas para que mulher nenhuma pudesse arriscar roubar um centímetro, que fosse, do especo que era dela. Começamos a namorar. E rapidamente a faísca da paixão se tornou uma fogueira de amor. Passaram-se meses e a tal fogueira já estava virando um incêndio. Quando o maldito desequilíbrio chegou a nossa surreal relação. Como uma madrasta maléfica que tenta destruir o conto de fadas. Era uma noite comum. Ela se olhava ao espelho e eu admirava. Eu estava tão intertido em contemplar aquele monumento a beleza que não percebia que o que ela fazia, fazia com jeito desgostoso.
- Amor você acha que estou gorda? (Perguntou ela)
- Lógico que não. Você é linda. E afinal, quem sou eu para reclamar de gordura? (Respondi tentando implicar graça a situação)
- Minha mãe falou que estou gorda. Não quero ficar feia, você é tão perfeito que merece o meu melhor. (Essa fala foi fundamental para que percebesse que ela estava aflita)
- Vem cá meu amor. (Tomei seu pequeno e meigo corpo contra o meu e olhando em seus olhos falei) Eu lhe amo do jeito que estás, e se seu corpo mudar nada dentro de mim mudará, pois a matéria é mortal. Contudo o amor a tudo subsiste.
(Achei que mudaria a situação com essa observação ultra inspirada e romântica, mas não surtiu muito efeito.)
- Que lindo amor. Mas se eu quiser fazer academia com minha irmã você ligaria?
(Logo veio a minha cabeça meu pedacinho de perfeição envolta em um daqueles macacões super justos e um bocado de homens boçais e asqueroso a observando.).
- Lógico que não me importaria meu bem. Jamais me oporia a uma ação que lhe levaria a felicidade. A final, não existe nada que me leve mais ao êxtase do que um sorriso seu.
( O pior é que eu julguei que isso seria bom para a autoestima dela. Mal sabia eu que isso seria o fim da minha.).
Passaram-se os dias. E ela, ao invés de acordar às 7 horas matinais, o costumeiro, acordava às 5 horas. E como era de nosso feitio, quem acordasse primeiro mandava mensagem telefônica de “bom dia” ao outro. Todos os dias passei a acordar as 5 horas da manhã. Quando ela estava voltando (da academia para casa) passava em minha porta para me dar um beijo. Na primeira vez que isso ocorreu, eu fiquei pálido. Seu corpo estava, esculturalmente, marcado e exposto por aquele pedaço de “sei lá o que” que chamam de roupa. Ela estava linda, mas enquanto vinha em minha direção, os homens que transitavam por perto paravam e a observavam inertes. Como estátuas. Hipnotizados.
Essa situação me corroia. Nunca fui machista, muito menos daqueles que tinham mulheres como posse. Mas a simples possibilidade de ver outro homem desejando e, mesmo que em pensamentos, possuindo a única dádiva que tenho em minha medíocre vida me consumia. Mas aquele sorriso... aquele límpido e doce sorriso, esse era o alento de toda a minha moléstia.
No entanto, a minha saga contra a maldita academia não estava acabando. Era certo que toda noite, antes de dormir, que nós tivéssemos uma longa conversa. Além de enamorados, éramos amigos confidentes. Tudo que nos passava despejávamos sobre o outro. Risos, lágrimas e silêncio... tudo passávamos juntos, mesmo que por telefone. Por tanto, depois que essa perturbadora necessidade de malhar começou, ela desejava dormir mais cedo. O pretexto era o cansaço e a hora da alvorada matinal. Ah como isso me machucou. E agora, o que darei a ela? Carinho já estava impossibilitado, não havia tempo (pois ambos trabalhamos). O alento de minhas palavras seletas já não lhe alcançaram, pois não nos falávamos mais. Esse não foi o fim do nosso amor, pois amor não tem fim. No entanto, nos afastou. Eu precisava de sabedoria para sanar essa situação. Tentei me conformar. Não deu certo, na verdade não durou nem um dia essa minha conformação. Então desisti de tentar. Por cansaço me fiz indiferente. E por incrível que pareça em uma semana ela largou a academia. Sua queixa, era que eu não a desejava.
Vai entender o ser humano... quando busca-se solucionar os problemas, eles se fortalecem e quando o cansaço nos domina, ele se finda. Isso me ensinou uma grande lição. Não adianta esquentar a cabeça, pois quando o problema não há solução ele se soluciona sozinho. Hoje sou feliz. Sem academia e mais perto que nunca do amor.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A mobilização solidária perante a morte



Como o corte de uma navalha afiada
A brisa seca e fria dilacera minha pele.
Meus olhos parados competem com a noite.
A noite é a mais negra
E meus olhos os mais frios.
Dentro do peito batiam minhas vísceras.
Sou o que se pode chamar de vazio.
Meu cérebro é ativo e talentoso.
Muito conhecimento pra pouco coração.
Ao meu lado o velho Chinaski...
Só me sinto feliz quando o leio.
Não sei se é pela diversão de sua medíocre e divertida vida,
Ou se pelo seu solitário sofrimento interior.
Só sabe o que é dor quem sofre de solidão.

Nota:
Essas foram as ultimas palavras escritas por Jonatan Luiwiesk, encontrado morto em sua cadeira de rodas na escadaria da igreja Batista do Município de Vargem Alta nesta noite. Jonatan era aidético e faleceu por conta de uma pneumonia adquirida por exposição ao excessivo frio. O povo se encontra solidário com a comovente história do senhor de 65 anos que escolheu a morte por se sentir só, pois como ele mesmo disse, “Só sabe o que é dor quem sofre de solidão”.
Pobre homem, que Deus lhe ampare!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Provérbios de sabedoria



A beleza é natural às rosas.
E a frieza comum entre os corações magoados.
A inércia é característica do sedentário
E a ignorância alento dos bastardos.

Aqueles que usam ironia como pedras,
Mesmo que saibam muito,
São fracos.
E os que usam flores como prendas,
Mesmo que sem nada saber,
Tornam-se amados.

Galgue em níveis intelectuais elevados
E aprenda a ser humilde.
Lute com seu íntimo
Para atingir seu malfeitor.
Conheça a regra
Pra não precisar roubar no jogo.

 Por que o esperto, o conhecedor supera.
Mas o sábio,
Que conhece o perfume das rosas...
Que renega a frieza...
Que supera as fortalezas...
Que vive bem consigo...
Esse é invencível
Tanto quanto o ar é invisível.

Micro-mundo


Enquanto sua genialidade se esconde em correções ortográficas,
Minha insignificância da cor e sentido a meu palavreado errado.
E enquanto as dores do mundo cravam punhais em seu corpo esbelto,
Retiro agulhinhas cravadas em minha enorme pança.
Por ser tão individualista sou rotulado.
Mas é no meu amor próprio que tenho a real guarida.
Não me interesso por cobertores de solteiro,
Eles deixam meus pés a mercê do frio.
Gosto do de casal... gosto de espaço.
Mas quem disse que em meu espaço não cabe você? (PEQUENINA)
Chegue sem rotulações.
Venha ouvir o que meu micro-mundo diz.
Não se preocupe em falar.
Pois me comunico por poesia escrita.
Sem sons, porém com todos os significados possíveis.
Se minha cabeça é fechada, entre pelos ouvidos...
Pois é pensando pequeno que sou feliz.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A tal felicidade

Chega a ser assustador a dinâmica da felicidade.
Uns com quase nada são felizes
E outros, mesmo com abundância, padecem na infelicidade.
O dinheiro que orna pescoços e dedos com joias, volta e meia, arranca um sorriso.
Contudo nada mais estimulador (de sorrisos) que um prato de comida destinado com carinho a um conhecido faminto.
Ah, sei lá. Acho que a felicidade está ligada a simplicidade.
Dormir é simples.
Comer é simples.
Amar é simples.
Admirar o sol poente, com a brisa úmida acariciando a face... Ahhh, perfeito! E simples.
Talvez a felicidade esteja dentro de um frasco tampado no fundo de nossos desejos.
Basta abri-lo e aceitar-la com o que se têm, e como se é.
Mudar, transformar, acrescentar, distorcer, doar-se integralmente... pode ser complexo demais para uma felicidade tão simples.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Amo a noite


A reconfortante escuridão do céu noturno me toma em prazer.
As estrelas, em milhares, cantando uma silente melodia reluzente.
Cingem de sagrado o negror orbital celeste.
Sardas cintilantes são as estrelas.
Lá no alto do negrume a Lua é a protagonista.
Onde as sardas, cantantes e luzidas brindam melodicamente sua beleza de amante.
Minha amante!
Descrita e recitada por mim noites a fio.

Recitais e serenatas românticas a deusa de brilho impar.
Lua como tu és amada por este comum humano!
Escuridão e sardinhas fulgentes também as amo.
Mas o que me toma por gosto é o silêncio.
O silêncio é a mandraca do viver.
O silêncio é o canto das estrelas e o ressoar das ondas do breu.
A resposta da Lua aos meus suspiros e pedidos é o silêncio.
O silêncio é paridor:
De sonhos,
De esperança,
De conforto,
De ideias,
De beijos,
De escárnios,
Da voz.
O silêncio é o nada.
E o nada é a possibilidade da existência.
Se pode, logo existe!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bruxaria

Saia da minha presença sua bruxa de mãos rápidas.
Não te quero por de baixo da minha pele.
Pensa que não sei que és tu que fazes meu coração palpitar?
Teu feitiço é único (macumba singular).
Arrebatou-me desta vida,
Transformou-me em homem comum (edição popular).
Tirou minha vontade de ler;
Escrever já não consigo;
Pensar não é mais comigo.
Só consigo me rastejar,
Admirar seus olhos negros de bruxa virginal,
Seus cabelos loiros de ouros feitiços e
Sua pele alva, com pouca vida, e muito charme.
Ah bruxa, por que me amaldiçoas-te
A ser teu escravo?
Escravo de encanto (encantado apaixonado).
E por essas ruelas de amor, amarrado vou.
Refém de teu afago,
Sedento do teu amor!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Dialética da minha poesia (Borboleta)


A arte de muitos é baseada em firulas literárias complexas.
Eu, porém, considero uma arte nobre quando esta é dotada de complexos sentimentos.
Palavras são apenas palavras.
Entende-se melhor analisando a metamorfose da lagarta que enoja a muitos.
E quando se recolhe em mutação
Em poucas horas se mostra um dos seres mais exuberantes e belos...
Borboleta!
O que é uma borboleta, a não ser uma lagarta com asas?
Assim se dá minha poesia.
Palavras comuns (lagarta) que transcrevem complexos sentimentos (asas).

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A paixão em sonho

É tão bom se entregar.
Fechar os olhos e mergulhado em beijos afáveis esquecer-se do inesquecível.
Abraçar como se o corpo ali apertado fosse à única razão vital existente.
É surreal olhar
Dento de outros olhos e alcançar o brilho de uma paixão poente.
Olhar
Sorrisos que se formam depois de longos beijos...
Sorrisos que preanunciam outros longos e vorazes beijos.
É prazeroso
Beijar aquela mão com o carinho que um pai beija a barriga da esposa grávida
E depois sorrir, como uma trombeta que anuncia a presença real, anunciando o próximo beijo.
É saboroso folhear livros de sonetos amorosos antigos em busca de um que traduza tudo aquilo entalado em uma garganta seca de palavras, mas molhada por beijos em potencial.
É tão extasiante ficar com o perfume em seus braços
E dormir buscando o aroma.
Aroma confortador que com o alento da paixão nos deita em um sono regado por sonhos que são a extensão deste sentimento aqui transcrito.
Sonho com abraços e beijos
Outros apenas com a voz.
Sonhos de uma vida pela frente
Regada por paixão e paz.
Sonho que um dia nunca acorde,
E se acordar, que eu jamais
Deixe que a noite volte
Para contigo sonhar um pouco mais.

Coração Frio

Tem gente que diz: “Vai devagar com o coração menino!”.
Responde-me, de quem é o coração?
Conselheiros hipócritas e mal amados,
Quando eu precisar de ajuda farei autoajuda.
Na verdade, até que entendo a intenção.
Na certa eles não conhecem o meu tipo.
Não sabem daquele probleminha!
Frieza.
O homem frio sofre consigo mesmo.
Ele não precisa de outra pessoa para ser feliz.
Mas nem por isso é feliz,
Pois sua felicidade se acaba por si.
Bem aventurado aquele que sofre de amor,
Pois malditos somos os que não conseguem amar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Metamórfico e egocêntrico

Sou metamórfico por natureza. 
Mudo para satisfazer meu ego.
Pois a esbelta dureza
Dos meus sentimentos me fizeram cego.
Porque me tomas com um pedido de extrema indelicadeza?
Não mudo por você, pois isso não é amor!
E tenho do céu a certeza
Que do seu jardim sentimental não brotaria uma sequer flor.
Se te magoa minha demência
Eu te permito a ir por outro caminho
Procurando entre os seus espinhos...
- Malditos e dolorosos espinhos! -
...Flores com minha essência!

sábado, 7 de julho de 2012

Caminhos internos


O oculto me fere quando, por análise, não o alumio.
E o inerte me ocupa quando, por conta própria, o faço andar.
Nada me parece impossível.
Perante o espelho perfeito sou.
Mas quando me identifico equivocado sofro enojado por minhas máculas.
A perfeição talvez seja a maior utopia inventada por ninguém.
E a utopia é a melhor forma de construir um sonho.
Por almejar a perfeição, talvez a alcance,
Pois foi almejando a felicidade
Que fui feliz.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fim de noite, poucas palavras e alguns sentimentos


Gostaria que rolasse.
Assim como rolam as lágrimas pela impenetrável epiderme facial,
Ou então, como objetos ovais sobrepostos a uma estrutura plana.

Desejo que aconteça.
Como os relâmpagos em noites atormentadas por tempestades barulhentas.
Da mesma forma que nascem os “pés de mato” dentre as fendas do meio fio.

Simplesmente
Eu preciso de você.
Eu preciso do nosso amor.
Seja lá quem for você
Seja lá o que for esse amor!

Verdes e celestes.


Meu corpo esvaído de senso crítico
Inerte admira a verdejança do teu olhar.
E atento a silente melodia que ecoa de teus cachos
Componho, apenas a pulso, um poema.

Como pode ser tão intenso seu feitiço
Sendo você uma criança celestial?
De onde vem o verde desta suave voz
Transposta por teus olhos?

Abraça-me?
Abraça-me agora, pois do contrário cairei.
E toca-me nesta hora.
Menina te amo... agora te amo!
Assim como, de momento, nunca amei.

Sei que nada posso oferecer.
Se não sabia disso, o faça agora.
Na verdade, de nobre este poeta só tem sentidos/sentimentos
Escrito nestas, e em outras linhas,
Mesmo que pouco dure.
Por isso acredite:
Eu te amo... agora te amo!
Assim como, por um momento nunca amei.

Parteiro pecador

Senhores desculpem-me, pois pequei!
Não consegui transfigurá-la.
Ela nasceu assim.
E por covardia deste poeta permanecerá deste modo!
Oras cabe à parteira,
Decidir arrancar um membro da criança
Por julgar deformidade?
Não!
Por isso julgue-me e punam-me,
Mas mais vale o que de mim provém de fluxo natural
Do que o forjado em sentimentos nunca

Parteiro pecador

Senhores desculpem-me, pois pequei!
Não consegui transfigurá-la.
Ela nasceu assim.
E por covardia deste poeta permanecerá deste modo!
Oras, cabe à parteira
Decidir arrancar um membro da criança
Por julgar deformidade?
Não!
Por isso julgue-me e punam-me,
No entanto mais vale o que de mim é natural
Do que o forjado em sentimentos nunca assimilados.